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Estudo de Caso

Page history last edited by Marlene 2 years, 10 months ago

Estudo de Caso 

 

 

Estudo de Caso

 

A atividade consiste na realização de uma pesquisa (do tipo estudo de caso), com um sujeito com necessidades educacionais especiais de sua escolha. Este sujeito pode ser um aluno seu, um aluno da sua escola ou de outra instituição. A pesquisa será realizada através de registro escrito em forma de relato (relatório narrativo).

 

O relato será baseado no depoimento de uma colega que tem em sua sala de aula um aluno com necessidades especiais, onde já vou realizado um diagnóstico médico acerca de suas limitações. Tenho um aluno em minha sala que apresenta dificuldades que deveriam ter um acompanhamento médico, mas como sua família até o momento não procurou nenhum auxílio especial para o mesmo, não tendo nenhum diagnóstico formal, somente o olhar do professor, optei por relatar a história deste aluno de minha colega.

O estudo está sendo realizado em uma turma de 1º ano, em uma escola estadual do município de Alvorada. Segue o relato da profª Ledi, titular da turma. 

" O Cris ingressou na turma no início de abril, juntamento com o irmão menor, Pedro. As diferenças entre os irmãos ficaram visíveis ao primeiro contato, o irmão menor não o aceitava e o evitava.

Cris nasceu uma criança normal, aos seis meses de idade, primeira internação,  foi internado em um hospital, em virtude de uma crise de asma,recebeu alta e voltou para casa. Em casa teve refluxo e sufocou-se com o leite ocasionando uma segunda internação, para aliviar os sintomas foram ministrados medicamentos muitos fortes o que gerou uma parada cardíaca, o mesmo ficou vários dias em estado de coma. As sequelas deste período foram profundas, pois o mesmo apresenta, hoje, comprometimento nas áreas cognitivas, motora e na fala.

Quando  tinha dois anos, período em que seus pais se separaram, foi diagnosticado paralisia cerebral. A mãe saiu de casa deixando-o com o pai, a partir dali a mãe nunca mais o viu.

Até os seis anos ele morava com o pai, estudava e fazia tratamento na APAE de Gravataí, mas devidos a problemas relacionados com a figura paterna, foi retirado dos cuidados do pai e encaminhado a abrigos até voltar a convivência de sua mãe, hoje aos oito anos ele está vivendo há um ano com sua mãe. 

Sua chegada causou estranheza por parte da família materna, demonstrando sentimento de rejeição pelo novo membro. A mãe tem pouco conhecimento em relação ao quadro clínico de seu filho (paralisia cerebral). As condições sócio-econômicas da família é muito baixa, a mãe trabalha como faxineira, logo os recursos que lhe são destinados são precários, e atualmente não está recebendo nenhum atendimento especializado.

O Cris tem dificuldades em relação a convivência em grupo, não respeita o material e merenda dos colegas e da professora, gosta muito de sair da sala e entrar em todos os recintos da escola.

É muito carinhoso com a professora e com todos os adultos (outros professores e mães de colegas), não demonstra afeto com sua mãe e demais membros de sua família.

Os colegas demonstram um certo pesar em relação a ele.

O trabalho escolar fica um tanto prejudicado, pois sua atenção e concentração são mínimas, não consegue segurar o lápis, objetos pequenos, massa de modelar, tesoura, etc...

Reconhece algumas letras do alfabeto, sabe contar até 20 mas não identfica os numerais.

Procuro realizar as atividades com ele, mas ele está a procura mais de um gesto de carinho do que a relização das mesmas.

Não demostra interesse nas atividades escolares, como também nas histórias e brincadeiras. Criou um espaço só dele, onde passeia, brinca e se sente amado e protegido.

Encaminhei o menino ao Serviço de Orientação da Escola e estou aguardando informações.

O andamento na sala de aula ficou bastante comprometido com a entrada deste aluno, pois toda atenção que dou a ele os demais  cobram e alguns passam a desenvolver o mesmo comportamento dele para receberem os mesmos cuidados.

Algumas crianças verbalizam que dou mais atenção a ele, ou que eu gosto mais dele, apesar de ter explicado a eles as diferenças, mas fica muito difícil para uma criança de seis anos compreender alguns conceitos que muitas vezes, nós adultos, também não os entendemos.

As poucas informações que obtive deste aluno foram fornecidas por minha colega. Ainda estou tentando montar o quebra-cabeça que representa a história de Cris."

Estive observando-o em sala de aula, é um menino muito agitado, não consegue ficar muito tempo em uma determinada posição, gosta de transitar pela sala de aula, se aproximou de mim, conversou um pouco e se afastou, mas quando me ve no pátio (recreio), vem correndo e me abraça, constantemente vejo minha colega, quando os leva a refeitório para o lanche, com ele em seu colo, a busca por afetividade é uma característica muito marcante em Cris.

Não se tem muitas informações sobre a rotina de Cris fora do ambiente escolar, pois a família é muito resistente em falar sobre o assunto, mas é evidenciado uma pré- disposição em acusá-lo de tudo o que ocorre em casa.

O trabalho que vem sendo desenvolvido com ele é basicamente oral, visto a sua deficiência na parte motora, são utilizados jogos, objetos concretos, encaixe (objetos grandes), material de E.V.A. o que provoca questionamentos dos demais alunos, pois não entendem essa diferenciação de atividades, querendo realizar somente as atividades que lhe são dirigidas (Cris).

Em nossa escola não existe projetos educacionais planejados para crianças portadoras de necessidades especiais, o que dificulta muito a prática docente de minha colega.

Transcrevo aqui sua fala com relação a inclusão destas crianças. 

" Se a escola está aberta para receber as crianças, precisamos reestruturar a nossa proposta educacional, receber informações de especialistas, material adequado, estrutura física  e principalmente muito estudo e boa vontade, pois não é um trabalho fácil."

Analisando o caso e interrelacionando com os textos lidos, noto muita divergência com o que se propõe com o que efetivamento é feito. Ao lermos o "desabafo" de minha colega e citando alguns trechos do texto de Lenise Pistóia onde coloca "Parte-se do princípio que o professor sozinho não será capaz de garantir a almejada qualidade de ensino.(...) Para tanto, torna-se necessário um direcionamento para a comunidade no estabelecimento de parcerias com os pais".

(...) Além disto, visa o prosseguimento da formação continuada em serviços, que dentre inúmeras finalidades permite ao professor aprender a lidar com classes heterogêneas, com conteúdos curriculares diferenciados e adaptados, utilizando estratégias de ensino, de acordo com as necessidades específicas destes alunos."

Percebemos o abismo que existe entre o que é necessário com o que realmente acontece em nossas escolas, minha colega não recebe nenhum tipo de orientação de como organizar o seu trabalho pedagógico com o Cris, outro fator importante seria a parceria com os pais, mas neste caso, temos  uma situação, também mencionada em um dos textos, referente a aceitação da família, que pode-se ver claramete que a mesma (família) ainda não conseguiu se estruturar para aceitar o Cris, o que gera muita revolta, pois o mesmo não demonsta muita afetividade com relação a sua familia.

Essa não aceitação da condição de Cris, faz com que muitos dados da vida do aluno fossem omitidos, a família evita falar muito sobre a sua rotina, os dados as quais minha colega teve acesso foram transmitidos por outra professora que já conhecia o Cris, isto faz com que se crie um barreira e a integração, parceria entre pais e comunidde escolar seja quebrada, ou seja, não se estabeleça dificultando para o professor o conhecimento da real  situação de seu aluno.

Outro fator apontado refere-se a formação continuada em serviços, pois possibiltaria ao professor o conhecimento necessário para trabalhar com classes heterogêneas, e também, outra "queixa" de minha colega, pois a mesma se sente sozinha nesta caminhada, sem uma proposta pedagógica oferecida pela escola para direcionar o seu trabalho.

Não havendo esta diferenciação de currículo para atender aos alunos com necessidades especiais reflete na avaliação do mesmo, como ele está cursando o primeiro ano e sendo parecer descritivo seus avanço são relatados, mais especificadamente na área afetiva, pois o mesmo não apresenta avanços significativos na área cognitiva e como ono primeiro ano não existe retenção como será recebido em um segundo ano, o professor que irá recebê-lo terá uma formaçã específica para trabalhar com este aluno "diferente", provavelmente não.

Com o conhecimento deste caso, e os relatos de minha colega percebi que com relação ao envolvimento do professor em melhor atender aos seus alunos "diferentes" a inclusão alcançou, pois a mesma é muito comprometida e pude observar que ao término deste primeiro trimestre a sua angústia com relação ao próximo ano, sabendo que seu aluno irá avançar a uma série seguinte com deficiência em sua área cognitiva e a incerteza de como será recebido em sua nova turma, já que ela vivencia este ano algumas dificuldades de aceitação com relação ao trabalho desenvolvido pelos demais alunos.

Comments (4)

Simone Ramminger said

at 12:54 am on May 27, 2009

Marlene passei no teu dossiê para ler teu estudo de caso e não encontrei. "Sua tarefa na unidade 4 será iniciar o registro escrito de seu "Estudo de Caso", você deve definir quem será o sujeito de sua pesquisa e registrar as informações. Procure algum caso na sua instituição, ou numa instituição vizinha ou ainda um aluno multirepetente ou com dificuldades de aprendizagem. Lembre-se: escolha para seu estudo de um determinado sujeito do cotidiano de sua prática pedagógica." Caso precises ajuda, faça contato.
Uma ótima semana e bom trabalho!!!!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 1:12 am on Jun 15, 2009

Marlene passei no teu dossiê e não encontrei a postagem das atividades 4 e 5. Precisas selecionar o sujeito do teu estudo de caso para realizar as atividades solicitadas. Estás precisando de ajuda? Estás com alguma dificuldade?
A atividade da unidade 6 já está disponível no Rooda, em aulas e deve ser postada até 21/06.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone - tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 11:36 pm on Jul 1, 2009

Marlene vejo que conseguiste escolher e registrar alguns dados sobre o sujeito do teu estudo de caso. Lembraste de trocar o nome, para não identificar o aluno? Relatas algumas informações da história de vida do menino, como é o relacionamento dele com os colegas, professores, como é sua aprendizagem e as dificuldades da professora em lidar com ele e com todos os outros alunos ao mesmo tempo.
Sabes quando foi feito o diagnóstico de paralisia cerebral? Sabes qual a profissão da mãe e as condições socioeconômicas da família? Referes que "...aos seis meses de idade, Cristofer foi internado em um hospital." Sabes por que? Hoje em dia ele tem algum atendimento complementar especializado?
Foi necessário fazer algum tipo de adaptação física ou arquitetônica na escola para receber o aluno? Sabes como é a rotina do menino fora da escola? Como é a avaliação feita com ele? É preciso algum tipo de adaptação curricular?
Aguardamos a postagem da atividade da unidade 7 até o dia 03/07.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone

Simone Ramminger said

at 10:58 pm on Jul 4, 2009

Marlene vejo que trouxeste mais informações sobre o aluno e iniciaste a postagem da atividade da unidade 7.
Comentas que a tua colega se sente sozinha nessa caminhada. No texto "A rede de interações" Pistóia comenta que "o ser humano é o resultado de suas interações e a vida é a busca incessante por novos conhecimentos. Estes novos conhecimentos, de forma nenhuma, representam um investimento em vão. Eles são a efetivação do que se pretende, em termos de proposta educativa para os alunos em situação de desvantagem. São estes que constituem-se no maior desafio a ser enfrentado, pois representam a mudança radical no atual panorama educacional. Um dado extremamente relevante é que a transformação proposta pela educação inclusiva está a desacomodar todos os sujeitos envolvidos nas relações escolares, pois não são apenas os alunos em situação de desvantagem que precisam “estar inseridos”, são todos os sujeitos da prática educativa. Todos aqueles que estarão envolvidos nas transformações propostas, no âmbito educativo, buscando incessantemente o conhecimento."
De que forma tu acredita que esta interdisciplina contribuiu para a tua prática em sala de aula?
Podes desenvolver um pouco mais as conclusões do teu estudo de caso e fazer algumas relações com os materiais lidos e vistos ao longo do semestre. Ok?
Um abraço, Simone - tutora sede EPNE

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