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Depoimento - Maria Inês

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Professora: Maria Inês Frozi

Tempo de magistério: 32 anos

Habilitação: Estudos Sociais e Geografia

Escola - EMEF Normélio Pereira de Barcello - Alvorada

 

 

" Acredito que, o trabalho individual desenvolvido na escola traduz a forma como cada docente construiu sua trajetória profissional e a concepção que assumiu para o papel social da escola e da ação pedagógica.

A cidadania deve ser abordada de forma concreta permitindo que as crianças vivenciem valores como cooperação e solidariedade em atitudes no seu dia a dia. Esta foi a oportunidade que a colega Ketlen nos ofereceu, com ela temos exercitado nosso lado mais humano.

O trabalho realizado com esse grupo em 2008 e 2009, possui características inclusivas uma vez que Ketlen tem hidrocefalia e apresenta dificuldades na motricidade ampla e fina, portanto, necessita de ajuda para muitas atividades, no que recebe atenção dos colegas, que se alternam na tarefa de lhe fazer companhia. Esta menina tem recebido atenção do grupo em que as crianças funcionam como tutores, auxiliando a colega em atividades como pegar material na mochila, alcançar algo que caiu no chão, colorir e recortar, escrever o nome em seus trabalhos, buscar brinquedos e etc. O grupo tem tido a oportunidade de exercitar a solidariedade, a empatia, a paciência, pois uma simples higiene no banheiro necessita de um grupo de apoio onde a "profe" auxilia a colega a caminhar até o banheiro. Enquanto as meninas vão junto, levando o sabonete, o papel higiênico e a toalha, tudo realizado em um ritmo lento em atenção a colega.

Penso que, nestes momentos, o trabalho inclusivo tem sua maior justificativa que é a oportunidade que essas crianças estão tendo de construir em seu iaginário a noção e o sentimento de que, os seres humanos que possuem alguma diferença ou mesmo limitação em relação aos outros, merecem que lhes sejam oferecidas condições especiais para que possam viver em sociedade e nã marginalizados, quando esta atitude não é obtida da sociedade.  O deficiente nã é aquele que não anda, não vê e nã fala é a própria sociedade que ignora sua função, que deveria ser acolher aqueles que dela necessitam.

O trabalho pedagógico desenvolvido com essa aluna, portadora de necessidades especiais, foi planejado especificamente para ela, seguindo a idéia de Programa de Educação Individual (PEI), que considera que o mais importante para o aluno portador de necessidades especiais é o desenvolvimento de habilidades sociais Stainback (1996), e essas devem ser desenvolvidas em escolas de ensino regular, como é recomendado pela declaração de Salamanca (1994). É também fundamentado, na lógica do planejamento em Multiníveis, na modalidade em que a criança participa das atividades como as outras, fazendo as mesmas coisas, mas que ela seja avaliada tendo como parâmentro suas condições e os seus progressos. O resultado de suas atividades atende o princípio da participação parcial em que o aspecto principal é acompanhar a ida escolar e comunitária, mesmo que seu nível de produção seja limitado devido às deficiências. Quando as outras crianças observam que os trabalhos da colega são diferentes e questionam isso, deve ser oportunidade de refletir que cada um faz as coisas como consegue e vai melhorando até onde pode.

Atualmente, estou aguardando receber maiores orientações da CIR para qualificar o trabalho com essa menina uma vez que, apesar de ter estudado muito no ano passado, ainda não tenho segurança de como desenvolver atividades que possibilitem o progresso cognitivo dela.

Mas uma coisa tenho convicção, ela está onde deve, na escola regular, entre crianças que lhes servem de estímulo, sendo vista, tocada, fazendo parte da comunidade em que ela vive".

 

Maria Inês de Oliveira Frozi

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